7-AS VERSOES DA BIBLIA

26/02/2013 00:11

 

 

Traduções da Bíblia

O hebraico, como era originalmente escrito, constava apenas de consoantes, sendo os sons vocálicos supridos pelo leitor. Esse processo obrigava o leitor a pensar e ir interpretando o texto, para descobrir-lhe o exato sentido, pois três consoantes [assim eram formadas as palavras em hebraico] com vogais diferentes, podiam indicar coisas muito diversas.

Escrever usando apenas consoantes foi um processo adequado enquanto o hebraico continuou sendo um idioma falado. Quando aparecia uma palavra que podia ser ambígua eram usadas letras vogais para deixar o texto mais claro. Quatro consoantes fracas, algumas vezes eram usadas como vogais [Álefe, Hê, Vau e Iode]. Quando o hebraico foi deixando de ser uma língua falada [já no tempo de Cristo não era uma língua viva] muito mais difícil ficou a pronúncia correta das consoantes sem sinais vocálicos. A pronúncia correta das palavras era transmitida pela tradição oral mas, muito rapidamente foi sentida a necessidade de ser esta representada por escrito.

A prova de que a palavra formada tão somente de consoantes é ambígua, na sua acepção, nós a temos em um exemplo da Bíblia em que as três consoantes não foram corretamente interpretadas. Hb 11:21 diz que Jacó “adorou encostado à ponta do seu bordão”, ao passo que em Gn 47:31 lemos que ele “… se inclinou sobre a cabeceira da cama”. A palavra hebraica para designar cama e bordão consta de três consoantes [M T H], as quais no texto hebraico são lidas com as vogais assim: M(i) T(a) H, “cama”. O autor da Epístola aos Hebreus tirou a citação da Septuaginta, cujos tradutores, leram a palavra desta maneira: M(a) T(e) H, “bordão”.

Os líderes do judaísmo em Alexandria foram responsáveis por uma tradução do Velho Testamento Hebraico para o Grego, a qual integraria a Biblioteca de Alexandria – Ela foi chamada de Septuaginta [LXX], que significa “Setenta”. Esta tradução já estava concluída em 150 a.C e foi feita por eruditos judeus e gregos, provavelmente para o uso dos judeus alexandrinos.

Assim que a igreja primitiva passou a utilizar a Septuaginta como Velho Testamento, a comunidade judaica perdeu o interesse em sua preservação. Essa versão teve um papel muito importante para o estudo e divulgação do Velho Testamento em outras línguas, já que os textos hebraicos apresentam grande dificuldade de compreensão. Outras versões surgiram após a Septuaginta devido à oposição do Cânon Judaico a essa tradução, são elas:

  • O Texto Massorético [100 d.C] – Uma edição do Texto Hebraico;

  • A Versão de Áquila [130 a 150 d.C] – Manteve o padrão de pensamento e as estruturas de linguagem hebraicas, tornando-se uma das versões mais utilizadas pelos judeus;

  • A Revisão de Teodócio [150 a 185 d.C] – Revisão de uma versão anterior – a LXX ou a de Áquila;

  • A Revisão de Símaco [185 a 200 d.C] – Preocupou-se com o sentido da tradução, e não com a exatidão textual. Exerceu grande influência sobre a Bíblia latina, pois Jerônimo fez grande uso desse autor para compor a Vulgata Latina;

  • Os Héxapla de Orígenes [240 a 250 d.C] – Promoveu-se uma visão comparativa dos textos hebraicos com a tradução dos LXX, de Áquila, de Teodócio e de Símaco, procurando harmonizar os textos em busca de uma tradução fiel do hebraico.

Os Massoretas

Eram judeus sábios, chamados Massoretas, que iniciaram entre os séculos VI e X d.C o trabalho de padronização dos textos hebraicos do Velho Testamento. Os textos originais foram escritos sem vogais e nesse trabalho de padronização eles simplesmente as inseriram, o que contribuiu em muito com o desaparecimento dos mesmos. Entre os séculos IX e X eles dividiram o texto hebraico em versículos.

Com hábitos monásticos e ascéticos, os Massoretas dedicavam suas vidas à recitação e cópia das Escrituras, bem como à formulação da gramática hebraica e técnicas didáticas de ensino do texto bíblico. Esses escribas judeus tinham grande preocupação em preservar e cuidar do manejo do texto hebraico. Às vezes o termo também é empregado para o comentarista judeu do livro sagrado. Eles substituíram os escribas (Sopherins) por volta do ano 500 d.C e prosseguiram em seu dedicado trabalho até o ano 1000 d.C.

Os massoretas tinham publicado manuais que serviam de orientação para copiar o texto. Nesses manuais, chamados “massora” [termo hebraico técnico para a primitiva tradição quanto à forma correta do texto das Escrituras], se encontravam:

  • Normas orientadoras que os copistas deviam seguir enquanto estivessem copiando o texto sagrado;

  • Princípios sugeridos pelo Talmude na transmissão do texto;

  • Regras gramaticais sobre a língua hebraica.

O minucioso e consciencioso trabalho estatístico que os massoretas realizaram é impressionante, pois empregavam toda a técnica que é possível ao ser humano para assegurar a exata transmissão do texto. Dentre as estritas e minuciosas regras a serem seguidas na cópia dos manuscritos, uma era que “nenhuma palavra ou letra devia ser escrita de memória”. Antes de iniciarem propriamente a cópia, eles contavam os versos, as palavras e letras de cada seção e se os números não correspondessem na nova cópia, o trabalho era rejeitado. Eles notaram, por exemplo, que a letra central da Lei se achava em Lv 11:42 e , quanto aos Salmos, a letra central está no Sl 80:4 e o versículo central é o 36 do Salmo 78 (Hb 78:36).

Desde que o supremo alvo dos massoretas era transmitir o texto tão fielmente como o tinham recebido, não faziam nele nenhuma alteração. Onde presumiam que tinha havido algum erro de transcrição, ou onde uma palavra não estava mais em uso polido, colocavam a palavra certa ou preferível, na margem. Neste caso, a palavra correta ou preferida e que tencionavam que fosse lida, chamavam “Qerê” – o que deve ser lido, mas as suas vogais eram postas sob as consoantes da palavra no texto inviolável [esta era chamada de Kethibi, "o escrito"].

Tradutores Portuguêses

O pioneiro na tradução das Escrituras para o Português foi D. Diniz [1279 - 1325]. Conhecedor de Latim Clássico e leitor da Vulgata Latina, traduziu até o capítulo 20 do livro de Gênesis, abrindo caminho para seu sucessor, D. João I [1385 - 1433]. Esse atribuiu a tradução a padres letrados e o trabalho prosseguiu com seu sucessor, D. João II. Outros amplamente conhecidos por seus trabalhos são:

João Ferreira de Almeida

Nasceu em 1628, próximo a Lisboa. Convertido ao protestantismo, iniciou a tradução das Escrituras aos dezessete anos, mas perdeu seu primeiro manuscrito e reiniciou seu trabalho em 1648. Conhecia Hebraico e Grego, e utilizou-se de vários manuscritos dessas línguas para compor sua tradução.

Os princípios que regem a tradução de Almeida são os da equivalência formal, que procura seguir a ordem das palavras que pertencem à mesma categoria gramatical do original. A linguagem utilizada é clássica e erudita. Em outras palavras, Almeida procurou reproduzir no texto traduzido os aspectos formais do texto bíblico em suas línguas originais (hebraico, aramaico e grego), tanto no que se refere ao vocabulário quanto à estrutura e aos demais aspectos gramaticais [SBB].

Em 1676 foi concluída a tradução do Novo Testamento, que só viria a ser publicada em 1681, na Holanda, por problemas de revisão. Quando da sua morte, em 1641, já havia traduzido o Velho Testamento até o livro do profeta Ezequiel. Seu trabalho foi continuado pelo pastor Jacobus Op Den Akker, de Batávia, em 1748. Cinco anos depois, em 1753, foi impressa a primeira Bíblia em Português.

Antônio Pereira de Figueiredo

Nascido em Portugal em 1725, iniciou a tradução das Escrituras, editada em 1819. Baseou sua tradução na Vulgata de Jerônimo, por não dominar outros idiomas, e incluiu nesse trabalho os Apócrifos. A sua tradução foi muito utilizada em Países de Língua Portuguesa.

Matos Soares

Publicou uma tradução em 1930, baseada na Vulgata Latina, e incluiu os Apócrifos. Sua tradução contou também com comentários a favor dos dogmas da Igreja Católica. Por isso, recebeu o apoio papal, sendo a sua tradução a mais popular dentro do catolicismo.

 

As Versões da Bíblia

Os antigos escreviam em rolos como aquele que Jesus leu na sinagoga em Nazaré (Lc 4.17-20). Primeiramente usavam-se papiros (feitos de junco); depois, pergaminhos (confeccionados com pele de ovelhas, cabras e outros animais) e, por fim, papel. No início do século I, os escribas passaram a transcrever os manuscritos em folhas, chamados codex (ou códices, no plural), já com páginas como um livro moderno.

Da mesma maneira que os outros registros do mundo antigo, o texto da Bíblia era todo em letras maiúsculas. A diferenciação entre maiúsculas e minúsculas foi criada no século IX e o espaçamento entre as palavras, dois séculos mais tarde. Os livros da Bíblia inicialmente não eram em capítulos e versículos. Em 1226, Stephen Langton de Canterbury, criou a separação em capítulos. Robert Estienne, um tipógrafo de Genebra, introduziu a divisão em versículos, no ano de 1551.

A primeira Bíblia a ser impresssa foi chamada Bíblia Genebra, publicada em 1560, já com divisão em versículos. Na antiguidade, as cópias de documentos eram feitas à mão, por escribas, nos scriptoriums. Como a produção era limitada, todas eram muito caras. (Calcula-se que era necessário ajuntar a pele de 360 cabras ou ovelhas para fazer uma única cópia do Codex Sinaiticus.) No ano de 1456, João Gutemberg, na cidade de Mainz, Alemanha, inventou a prensa tipográfica e a Bíblia deixou de ser copiada à mão e passou a ser impressa.

  

Traduções Antigas

As bíblias mais antigas eram em grego, mas, já no século II, as Escrituras começaram a ser traduzidas para outras línguas. No ano 405, Jerônimo, o estudioso e linguista mais capacitado de sua época, completou a tradução para o latim da Bíblia hebraica e do Novo Testamento grego. Essa versão recebeu o nome de Vulgata (do termo em latim vulgatus, que significa "comum") e tornou-se a Bíblia da igreja ocidental até a Reforma e foi usada como base para todas as traduções católicas até 1943. Foi também a primeira Bíblia a ser impressa. 9Mias conhecida como a Bíblia de Gutenber, por causa do inventor da impreSSA

  10- As Versões da Bíblia

Versões Para o Inglês

Foi João Wycliffe quem deu início à primeira tradução da Bíblia para o inglês, sendo que esse trabalho foi conluído por seus discípulos. Eles traduziram a Vulgata em 1382. A primeira Bíblia a ser impressa naquele idioma foi uma tradução do Novo Testamento de William Tyndale, o "pai" da Bíblia em inglês. Ele se baseou nos textos originais em hebraico e grego e as primeiras cópias ficaram prontas em 1526. Dez anos mai tarde, Tyndale foi traído, preso e queimado na fogueira, em praça pública antes que pudesse terminar a tradução do Antigo Testamento. (Os líderes religiosos da época não desejavam que o povo tivesse acesso à Bíblia em sua língua nativa. Temiam que isso viesse a enfraquecer o poder e a autoridade da igreja em relação à interpretação das Escrituras.) 

Depois de a Inglaterra ter rompido com a igreja católica, em 1534, publicaram-se muitas traduções em inglês - tantas, na verdade, que o Rei Jaime I da Inglaterra (que reinou de 1603 a 1625) criou uma comissão de cinquenta e quatro estudiosos para produzir uma versão "autorizada". Assim nascia a Versão do Rei Jaime, de 1611, que foi a Bíblia evangélica mais usada nos países de língua inglesa até meados do século XX. Esta continua sendo muito usada atualmente na forma da Nova Versão do Rei Jaime (de 1982), bem como outras traduções revisadas baseadas na primeira versão.

Versões Recentes

Só no século XX, publicaram-se mais de cem novas versões da Bíblia. Há pelo menos 3 razões para isso. Em primeiro lugar, desobriram-se manuscritos mais antigo e precisos, como o Codex Sinaiticus (325 d.C.), que precede em 800 anos o Novo Testamento em grego de Erasmo, usado pelos tradutores da Versão do Rei Jaime. 

Em segundo lugar, o fato de pessquisadores terem achado documentos ou sítios arqueológicos importantes. Entre eles, estão os Escritos do mar Morto, de Qumran (quase 800 rolos), achados no ano de 1947 (considerada como a maior descoberta do século XX). Escavações feitas em 1945 revelaram um edifício muito importante: a biblioteca de Nag Hammadi, no alto Egito, que guardava doze códices de papiro escritos em copta, antiga língua daquele país. Dentre os documentos, o principal é o Evangelho segundo Tomé. Essas descobertas proporcionaram aos estudiosos da Bíblia uma compreensão mais profunda do mundo na época de Jesus, como também do cristianismo dos tempos antigos. 

A terceira razão de se produzirem novas versões da bíblia é atualizar a linguagem, substituindo termos mais rebuscados por outros de fala coloquial e também fazer adaptações que facilitem a leitura

 

A BÍBLIA E SUAS VERSÕES

 

 

 

Bíblia de Jerusalém, ed. Paulus

Desde a invenção da imprensa, no século XV, por Johannes Gutemberg, muitas versões da Bíblia foram impressas. Na medida em que manuscritos mais antigos foram surgindo (principalmente no século XIX), as Bíblias foram sendo atualizadas na tentativa de produzir uma tradução que expressasse com mais fidelidade o conteúdo dos textos originais. Ao longo do tempo foram sendo publicadas Bíblias para diversos gostos ou correntes teológicas: Versões populares, críticas, com capa colorida, com letras grandes, etc. Atualmente as Bíblias mais conhecidas são as seguintes: 

 

 1. As primeiras versões impressas em português

 

A mais antiga tradução completa da Bíblia para o português é obra de João Ferreira de Almeida, cristão protestante de origem judeu-portuguesa. Sua primeira tradução foi publicada em 1753 em três volumes.  A seguir as traduções de Almeida publicadas em um único volume.

 

1819 – “Versão Antiga” (BAIXE AQUI - PDF)– baseada nos modelos ingleses e holandeses do século XVII (Textus Receptus). A Almeida Corrigida e fiel (Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil) conserva até hoje o Textus Receptus como base para sua tradução.

 

1898 – Versão Revista e Corrigida (ou revisada) – revisão ortográfica e eliminação de termos obsoletos.

 

1956 – Versão Revista e Atualizada – utiliza o texto crítico, baseado em manuscritos do século IV (codex Vaticanus e Sinaiticus) descobertos após a primeira tradução de Almeida.

 

Em 1790 surgiu a versão de Figueiredo, elaborada a partir da Vulgata pelo padre católico Antônio Pereira de Figueiredo. Foi publicada em sete volumes, depois de 18 anos de trabalho. 

 

2. Edições recentes

 

1981 – Bíblia de Jerusalém (BJ). Tradução empreendida por exegetas católicos e protestantes e por um grupo de revisores literários. Esta Bíblia possui muitas notas críticas, que, aliás, são muito técnicas para um leitor sem formação teológica. É, sem dúvida, uma das melhores Bíblias de estudo.

 

1982 – Bíblia Sagrada Vozes – Tradução original do texto hebraico/aramaico e grego. Possui introdução aos livros e muitas notas (existe uma excelente versão digital em CD).

 

1988 – Bíblia na linguagem de hoje (BLH), elaborada pela Sociedade Bíblica do Brasil a partir dos idiomas originais. Apesar da louvável tentativa de tornar o texto bíblico acessível às pessoas menos instruídas, possui alguns anacronismos imperdoáveis, tais como a palavra “despacho” em Dt 18,11 e “médiuns” em 2 Cr 33,6.

 

1990 – Edição pastoral Paulus - Tradução dos textos originais em linguagem corrente. A preocupação básica, de acordo com a editora, é oferecer um texto acessível ao povo, principalmente às comunidades de base, círculos bíblicos, catequese, escolas, celebrações. As notas críticas possuem a mesma qualidade que as da Bíblia de Jerusalém, com a diferença de serem mais acessíveis àqueles que não possuem formação teológica (também ganhou uma ótima versão em CD).  

 

2001 – Nova Versão Internacional (NVI) - Publicada pela Editora Vida e pela Sociedade Bíblica Internacional. Tem sido elogiada pela clareza do texto. As críticas mais contundentes a essa versão vem de setores conservadores do meio protestante, por causa da adoção do texto crítico como base para a tradução do Novo Testamento.

 

1997 – Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB) - Segue a edição francesa tanto nas notas como no texto bíblico, sendo, porém, cotejada com os originais hebraicos, aramaicos e gregos.  

 

2002 - Bíblia do Peregrino - tradução do grande exegeta espanhol Luís Alonso Schökel, publicada pela Editora Paulus. É a Bíblia com o maior número de notas publicadas no Brasil. A edição brasileira é uma tradução do espanhol.

 

2007 – Bíblia Almeida Século XXI - As principais críticas a esta versão são excessivo conservadorismo teológico presente nas introduções dos livros e no uso não inclusivo da palavra “homem” para se referir à totalidade da espécie humana (homem e mulher). 

 

FONTE:

 

http://www.verdade-viva.net

http://manualdafecrista.forumeiros.com

http://introduoteologica.blogspot.com.br